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Cartão de crédito e Selic: de que forma a redução da taxa impacta sua fatura?

Cartão de crédito e Selic: de que forma a redução da taxa impacta sua fatura?

Antes de usar seu cartão de crédito, compreenda as mudanças causadas pela Selic

Mão segurando um cartão de crédito e a outra mão digitando em uma calculadora, na mesa de um escritório.
(Imagem: divulgação/reprodução por I.A)

Se você ouviu que a Selic foi reduzida, é comum pensar que os juros do cartão de crédito também diminuirão.

Porém, essa relação não ocorre de maneira imediata.

Embora a taxa básica de juros seja o principal indicador da economia brasileira, os juros do cartão dependem de diversos outros aspectos.

Neste artigo, você vai entender o que realmente influencia sua fatura, quando a queda da Selic pode ser vantajosa para o consumidor e quais atitudes ajudam a diminuir os juros no cartão de crédito.

Qual o efeito da redução da Selic para quem usa cartão de crédito?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve como referência para diversas operações financeiras, como empréstimos e investimentos.

Quando essa taxa diminui, o custo que os bancos pagam para captar recursos tende a baixar aos poucos.

Porém, o funcionamento do cartão de crédito obedece a uma lógica diferente.

Pela alta probabilidade de inadimplência nesse tipo de crédito, os bancos mantêm spreads altos, mesmo com a Selic em queda.

Em resumo, a queda da taxa básica melhora o ambiente de crédito, mas não garante uma redução imediata nos juros da sua próxima fatura.

Por que o crédito rotativo permanece entre os mais caros do Brasil?

Muita gente se pergunta por que a queda da Selic não reflete imediatamente nos juros do cartão de crédito.

Isso ocorre devido à forma como os bancos avaliam o risco associado.

Embora a Selic determine o custo básico do dinheiro na economia, os juros do cartão consideram diversos outros fatores, como:

  • Inadimplência;
  • Custos operacionais;
  • Normas regulatórias;
  • Margem de lucro dos bancos.

Por isso, mesmo com o Banco Central reduzindo a taxa básica, os juros do crédito rotativo podem continuar elevados por um longo período.

Como os bancos estabelecem os juros do cartão de crédito

O valor cobrado ao consumidor resulta da combinação de diversos elementos.

Por esse motivo, uma queda de 0,25 ponto percentual na Selic dificilmente resulta em uma redução igual nos juros do cartão de crédito.

Segundo o Banco Central, a política monetária influencia o custo do crédito de forma gradual, e essa velocidade varia dependendo do tipo de empréstimo.

De que modo a inadimplência impacta os juros

O cartão de crédito está entre as modalidades de crédito que representam maior risco para as instituições financeiras.

Quando o consumidor recorre ao crédito rotativo, a probabilidade de atraso ou até mesmo de inadimplência aumenta bastante.

Para compensar esse risco, os bancos cobram um spread bancário elevado, que representa a diferença entre o custo de captação e a taxa final aplicada ao consumidor.

Em outras palavras:

Esse é um dos principais fatores que mantém os juros do cartão entre os mais altos do mercado.

O limite do rotativo foi alterado?

Sim. Desde janeiro de 2024, está em vigor uma regra que limita o valor total da dívida no crédito rotativo.

Na prática, o consumidor não pode ser cobrado por um montante maior que o dobro da dívida original, considerando juros e encargos acumulados.

Confira o exemplo:

Essa mudança trouxe mais proteção para o consumidor, mas não significa que os juros mensais diminuíram.

O crédito rotativo continua entre os tipos de crédito mais caros e deve ser utilizado apenas em situações excepcionais.

Quais são as reais mudanças na sua fatura do cartão de crédito?

Isso depende da forma como você utiliza o seu cartão.

Para quem paga a fatura integralmente

Se você sempre quita o valor total da fatura até a data de vencimento, praticamente não haverá alterações.

Você continuará aproveitando o prazo sem juros do cartão e não perceberá uma mudança direta causada pela redução da Selic.

Quem escolhe parcelar a fatura

Para quem parcela a fatura, as condições podem melhorar um pouco nos próximos meses, embora isso dependa da política adotada por cada banco.

Essa redução costuma acontecer de maneira gradual.

Por isso, vale a pena comparar as ofertas de várias instituições antes de fechar qualquer acordo de renegociação.

Usuários do crédito rotativo

Esse grupo precisa ter ainda mais cuidado ao usar o crédito.

Apesar da Selic ter baixado para 14,25% ao ano, o crédito rotativo continua muito caro, pois leva em conta outros fatores além da taxa básica de juros.

Se você está usando o rotativo, normalmente a melhor escolha não é esperar por novas quedas na Selic.

Mas vale a pena buscar opções mais econômicas, como empréstimos pessoais, crédito consignado ou planos de renegociação oferecidos pela instituição financeira.

Será que vale a pena esperar por juros mais baixos?

A decisão depende das suas atuais condições financeiras.

Quem paga a fatura integralmente todo mês pode se beneficiar indiretamente da queda da Selic na economia, mas isso não altera o custo do cartão.

Para quem parcela a fatura ou usa o crédito rotativo, contar que a Selic vai cair rápido e reduzir os juros pode ser arriscado e resultar em custos altos.

Como o rotativo está entre as linhas de crédito mais caras do país, cada mês sem pagamento tende a aumentar o valor da dívida.

Na maioria dos casos, é mais vantajoso negociar sua dívida o quanto antes, ao invés de esperar novas decisões do Copom.

Quando vale a pena aguardar?

Faz sentido esperar nas situações abaixo:

  • você não possui dívidas atrasadas;
  • está pesquisando um novo empréstimo ou financiamento;
  • tem bom histórico de crédito e pode conseguir melhores condições em breve;
  • planeja trocar de banco ao encontrar taxas mais vantajosas.

Quando é melhor negociar imediatamente?

É recomendável começar a negociar sua dívida se você:

  • paga apenas o valor mínimo da fatura;
  • está utilizando o crédito rotativo;
  • tem parcelas que comprometem grande parte da sua renda;
  • usa frequentemente mais de 30% do limite do cartão;
  • teve atrasos recentes nos pagamentos.

Negociar o quanto antes reduz o total dos custos da sua dívida.

Como pagar menos juros no cartão de crédito

Independente das mudanças na Selic, algumas atitudes ajudam a diminuir o custo total do seu crédito.

Negocie diretamente com o banco

Antes de usar o crédito rotativo, entre em contato com seu banco e solicite uma proposta para renegociar sua dívida.

Diversas instituições financeiras oferecem parcelamentos com juros menores do que os cobrados no crédito rotativo.

Analise as taxas cobradas por diferentes bancos

As taxas de juros podem variar bastante entre as diferentes instituições financeiras.

Procurar alternativas diferentes pode resultar em uma economia relevante ao longo do período do contrato.

O Banco Central divulga com frequência informações sobre as taxas médias das várias modalidades de crédito, o que facilita a comparação dos custos para o consumidor.

Considere outras alternativas de crédito

De acordo com seu perfil, opções como estas podem ser vantajosas:

  • empréstimo pessoal;
  • crédito consignado;
  • crédito com garantia;

Essas alternativas geralmente apresentam taxas de juros bastante inferiores às do cartão.

Antes de assinar qualquer contrato, verifique o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, tarifas, seguros e outros encargos.

Evite usar o crédito rotativo

O crédito rotativo deve ser considerado apenas como uma opção emergencial.

Se perceber que não conseguirá pagar o valor total da fatura, procure negociar antes do vencimento.

Essa escolha costuma sair muito mais econômica do que deixar os juros acumularem por vários meses.

Opinião do autor

A redução da Selic é uma notícia positiva para a economia, pois tende a estimular o crédito, o consumo e os investimentos com o tempo.

Contudo, isso não deve ser considerado um alívio imediato para quem depende do cartão de crédito.

O principal elemento é a política monetária, conduzida pelo Banco Central, que define o custo do dinheiro na economia.

Um outro ponto essencial é o funcionamento do mercado de crédito, onde fatores como inadimplência, competição e o perfil do consumidor têm impacto direto nas taxas cobradas.

Dessa forma, quem utiliza o cartão de forma consciente, quitando sempre o valor total da fatura, seguirá aproveitando os benefícios, independentemente das oscilações da Selic.

Já quem usa o crédito rotativo ou parcela a fatura deve priorizar reduzir o saldo devedor rapidamente, pois não é garantido que futuras reduções da taxa básica resolverão essa situação.

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admin_e2jl7z